Educadora cria método para unir família e escola na educação de crianças e adolescentes
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Na segunda semana de 2020, em pleno século XXI, recebemos a notícia que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, quer implantar como política de prevenção à gravidez na adolescência a abstinência sexual, baseada no movimento “Eu escolhi esperar”,  indo contra todas as evidências científicas e recomendações de órgãos competentes como UNESCO, OMS, ECA, entre outros.

Se fosse fazer um paralelo, seria a mesma coisa de tentar tratar uma pneumonia nos nossos filhos com água de rosas. Isto mesmo. E você, arriscaria?

Abstinência é uma escolha pessoal que só pode ser tomada por pessoas com autonomia para tal, isto é, que sabem de possibilidades e riscos de uma vida sexual ativa. Para fazer tal escolha nossos jovens precisam ter acesso a um espaço que fale sobre métodos anticoncepcionais, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, prós e contras de uma vida sexualmente ativa, entre outros. Além disso, a educação em sexualidade serve para discussão de uma série de outros assuntos como consentimento, prevenção de abuso sexual, prevenção de violência de gênero, modelos de masculinidade (fundamental num país onde homens jovens morrem muito mais em situações de violência na rua e mulheres dentro de casa), trabalhar respeito à diversidade ( o Brasil é o país que em números absolutos mais mata pessoas LGBTQ+ no mundo).

Como referência científica importante sobre o assunto temos uma revisão de trabalhos (desde 2006)  publicado em 2017 na Journal of Adolescent Health, onde se coloca que modelos de educação baseados na abstinência fere inclusive os Direitos Humanos que definem que todo o indivíduo, para tomar suas atitudes com autonomia precisa ter acesso a conhecimento ético e científico.

Além disso, hoje precisamos pensar em “juventudes”, pois temos grupos de jovens em diferentes realidades e que iniciam a vida sexual por diferentes motivos (lembrar que segundo dados da UNICEF 2018, 60% da população de jovens e crianças no Brasil estão em situação de pobreza).

A vivência da cidadania de forma ativa e ética no dia a dia depende também do conhecimento de si mesmo de forma completa, de suas possibilidades e de seus limites necessários para fazer escolhas e ter práticas de vida saudáveis. Deste conhecimento fazem parte todos os componentes que formam o ser humano, inclusive a sexualidade.

Todo processo educativo precisa seguir critérios estudados e sempre que possível, embasados em conhecimento científico.

A atitude do Ministério é tendenciosa, baseada em valores morais que não correspondem aos valores éticos que devem ser praticados em benefício da nossa população e fere os direitos de nossas crianças e adolescentes, os colocando em maior situação de vulnerabilidade. Simplesmente um retrocesso no caminho de nossa juventude.