Consentimento: como ensiná-los aos nossos filhos?
25 outubro | 2019

Educadora cria método para unir família e escola na educação de crianças e adolescentes

A escola de hoje está preparada para conduzir uma educação para vida?

Num mundo de mudanças constantes e no momento em que as instituições mais importantes da sociedade, a família e a escola, estão com graves dificuldades em oferecer ferramentas adequadas às crianças e adolescentes para crescerem de forma saudável, o Método Educando para a Vida, vem trazer formação para resgatar valores éticos que conduza à humanização nas relações.

O método privilegia três questões: A primeira, que as crianças aprendam a se relacionar com o mundo, com os outros e com elas mesmas, desde bebês. E que este aprendizado, deve ser guiado. Lembrando que se relacionar com o outro, inclui questões do corpo, das próprias sensações e do consentimento mútuo e como ela se vê no mundo; A segunda, é que o tripé (escola família – criança e adolescente) precisa participar ativamente, em parceria para garantir os direitos de aprendizado e de vida. E a terceira, é que se feito em parceria os três envolvidos neste tripé serão beneficiados como um todo.

A Especialista em Educação em Sexualidade Lilian Macri, criou o método com o objetivo de ajudar a criança/adolescente, família e escola a entenderem que as novas tecnologias e as transformações que estão acontecendo no mundo precisam ser enfrentadas. “É impossível educar uma criança como fomos educados há 50 anos. Hoje muitos são os desafios, entre eles a educação em sexualidade, que mais do que nunca se faz necessária, trazendo suporte para o aprendizado desta nova realidade, dos benefícios que podem nos trazer e modos de proteção de nossas crianças e adolescentes, para que façam suas escolhas com  autonomia, autenticidade e liberdade”.

A Escola é a principal parceira dos pais no que se refere à educação de seus filhos. Da mesma forma que se faz necessário ter um currículo pedagógico em todas as outras áreas, os alunos têm o direito de ter uma educação em Sexualidade. E quem falará sobre esse tema com eles, é uma questão que também deve ser abordada.

O problema é que a maioria das escolas prefere não lidar com o tema, para evitar conflitos, interpretações equivocadas e por não terem preparo técnico e científico para desenvolver o assunto.

“Não precisamos abordar esse tema aqui! Na educação Infantil não temos essa demanda. Esse não é o local apropriado para esse assunto. Esse tipo de educação tem que ser realizada em casa.” Essas são algumas afirmações mais comuns entre os gestores, professores e diretores das instituições de ensino, quando são questionados sobre a Sexualidade Infantil.

O fato é que a escola tem um papel fundamental na educação em sexualidade.  Os alunos passam no mínimo, de 5 a 6 horas por dia na escola, então praticamente metade do dia eles têm interação com colegas e professores. Dúvidas e vivências também vão acontecer no ambiente escolar.

Segundo Macri é possível estabelecer uma parceria entre família e escola, desde que, a escola tenha alguém capacitado e que possa de forma responsável trazer informação de qualidade e com embasamento científico.

“Temos um compromisso muito sério com nossos alunos de nos atualizarmos sempre! Mas, sabemos que oferecer uma educação de excelência implica em muitas frentes: a atualização e formação constante dos profissionais, mas também a formação das famílias para que possamos falar “a mesma língua” ou que nos aproximemos o máximo possível. A metodologia que a Lilian Macri aplica é de extrema importância, pois, queremos derrubar preconceitos, crenças e tabus em relação à educação em sexualidade nas famílias e na escola. Continuaremos esse trabalho com formação à nossa equipe docente”, conta Cibele Renó, diretora e gestora da Escola Pindorama de São José dos Campos.

O Brasil é signatário de vários acordos internacionais para oferecer educação em sexualidade e inclusive por isso, tem obrigação de oferecer este conteúdo de forma  ética.

De acordo com a UNESCO, uma educação em sexualidade feita de forma adequada, baseada em valores éticos, protege contra o abuso sexual, retarda o início da vida sexual, diminui bullyng, aumenta a adesão ao uso do preservativo, diminui a gestação na adolescência, entre outros.

“Minha missão aqui é ajudar a escola e sensibilizar as famílias. Falar sobre como a educação em sexualidade realizada de forma ética traz inúmeros benefícios, esclarecendo notícias falsas sobre o assunto e mostrando como a escola pode ser parceira da família”, explica Macri.

Sobre Lilian Macri

Lilian Macri dedica-se a transformar pessoas por meio da promoção do autoconhecimento e da vivência de uma sexualidade saudável. É formada em medicina CRM-SP 99193, pós-graduada em sexualidade pela Universidade de São Paulo, Educadora em Sexualidade pela UNISAL e especialista em Terapia Sexual pela SBRASH.

Atua como colaboradora do Projeto Afrodite da UNIFESP, no ambulatório de disfunções sexuais femininas. Atende em consultório, ministra palestra sobre sexualidade pelo país e é autora do livro “Mamãe, o que é sexo? Vem que eu te ajudo com a resposta!”.