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Maio Laranja Campanhas de Combate ao Abuso e Exploração

Lilian Macri alerta: abuso e exploração sexuais infantis e na adolescência são problemas mundiais 

 

Maio Laranja é o mês de intensificação das Campanhas de Combate ao Abuso e Exploração 

 

Sexual de Crianças e Adolescentes no Brasil. O Problema é global, e apesar do Brasil aparecer em 11º no ranking de medidas protetivas, de acordo com o relatório Out of the Shadow Index, publicado no início do ano pela revista britânica The Economist (em parceria com o World Childhood Foundation e Oak Foundation), ainda precisamos entender o fenômeno e intensificar muito nossos trabalhos nesta área. 

O relatório avalia o ambiente, em itens como a segurança; as leis de proteção às crianças; compromisso e capacidade dos governos; e o engajamento do setor privado, da sociedade civil e da mídia. Desta forma, a nota é composta por 34 indicadores e 132 subindicadores. Quanto maior a pontuação, maior a probabilidade de as crianças serem protegidas. 

Segundo o estudo, “o estigma e a falta de uma discussão aberta sobre o sexo, direitos das crianças e gênero” podem prejudicar a capacidade de um país de proteger suas crianças. Até por que, historicamente, os casos envolvendo menores são encobertos por omissões, tabus e pelo fato da maior parte dos abusos serem cometidos por pessoas próximas às vítimas. 

A médica e especialista em Educação em Sexualidade Lilian Macri acredita que as limitações brasileiras passam principalmente pela falta de uma educação em sexualidade conduzida pelos pais em parceria com a escola, desde a infância, e de políticas públicas que incentivem esta educação feita com profissionais preparados de forma ética para realizá-la. 

A preocupação com as crianças é ainda maior em relação aos casos de estupro de vulnerável. 

De acordo com os dados divulgados pela SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo) o número de casos de estupro cresceu em todo o estado em 2018. Foram 11.950 boletins de ocorrência registrados, o equivalente a 32 casos por dia, uma alta de 7,76% em relação ao ano de 2017. Esse é o maior índice desde 2013. 

Os crimes cometidos contra pessoas consideradas vulneráveis tiveram a alta ainda mais acentuada, cerca de 14,3%, com 8,6 mil casos. Só na capital paulista, enquanto o número de denúncias de estupro cresceu 1,7%, os registros de estupro contra vulneráveis cresceu 10,6%. 

Em 2013, houve 12 mil registros, mas esse índice caiu nos dois anos seguintes. No entanto, desde 2016, as autoridades policiais apontam que esse tipo de crime está em ascendência. 

Em Taubaté, de Fevereiro de 2017 a 2018 foram registradas 30 denúncias, o número cresceu para 48 no mesmo período de 2018 a 2019. Estima-se que esse número pode ser ainda maior, já que a maioria dos abusos acontece dentro de casa, por algum familiar da vítima. No Hospital Universitário de Taubaté são atendidos em média 3 vítimas desse tipo de crime por semana. 

A grande maioria dos abusadores sexuais infantis cometem o crime contra crianças por acreditarem que elas estão à sua disposição. A crença de que crianças e adolescentes são objetos. E sua objetificação às colocam em situação de risco dentro do local que deveria protegê-las: a família. E estas relações desiguais de gênero são mantidas pelo machismo. 

Em meio a esses índices desoladores a pergunta que não quer calar é: Como proteger as nossas crianças? Lilian acredita que os pais/cuidadores podem proteger seus filhos de possíveis abusos. “Através do diálogo, do amor e da orientação. Estabeleça laços de confiança entre você e o seu filho/filha, conduza-o a uma educação sexual adequada a cada fase do seu desenvolvimento. Que ele saiba que o corpo é dele e que somente ele deve tocar em suas áreas íntimas. E que se alguém tocá-lo de forma diferente, ele deve contar a você”. 

O olhar atento dos pais/cuidadores a qualquer mudança de comportamento também é fundamental. Se você notar que seu filho está diferente, triste e isolado. Investigue, vá a fundo, converse com a criança. Não tenha medo e nem vergonha, peça ajuda e denuncie, 

disque 100! 

 

A especialista orienta aos pais de como proteger seus filhos 

1- Estabeleça laços de confiança; 

Seu filho precisa saber que pode confiar em você, que pode ter contar tudo e que você está ali 

para ajudá-lo e protegê-lo de tudo e todos; 

2- Mostre para o seu filho que o corpo é dele e estabeleça limites; 

Ensine seu filho que ele pode dizer não se alguém forçá-lo a tocar, abraçar ou beijar outra 

pessoa. Ao cumprimentar um desconhecido, o aperto de mão pode ser uma alternativa a 

beijos e abraços. Não force seu filho a beijar ou abraçar alguém; 

3- Crie uma rede de proteção; Ajude seu filho a formar esse grupo, que deve reunir três ou quatro adultos em que ele confia 

para contar o que quiser caso se sinta preocupado ou inseguro. 

4- Respeite a intimidade; 

Chame as partes íntimas de seu filho pelo nome correto e explique que ninguém, criança ou 

adulto, pode tocá-las, a não ser os responsáveis. Diga ainda que não é legal que ela toque no 

corpo de outra pessoa; 

5- Forneça ao seu filho educação sobre sexualidade; 

Aceite o desafio conduza naturalmente uma educação sexual, sadia e segura para o seu filho, 

respeitando a idade e grau de compreensão da criança e entenda qual é e o quão importante é 

o papel da escola; 

6- Ensine ao seu filho algumas medidas básicas de proteção; 

Exemplifique uma situação de risco com uma história e oriente-o uma forma de se proteger; 

7- Fique atento aos sinais; 

Explique à criança que seu corpo é inteligente e, por isso, mostra quando está desconfortável. 

Dor no estômago, coração acelerado ou suor sem motivo podem indicar que algo não vai bem, 

e isso deve ser contado a um adulto de confiança; 

8- Não estimule segredos; 

Explique que sua família não tem segredos. Que tudo pode ser contado para um adulto de seu 

confiança.